
Você sabia que 67% dos imóveis vendidos no início de 2026 tiveram algum tipo de desconto?
Esse dado chama atenção, principalmente para quem está pensando em comprar um imóvel agora.
Mas existe uma informação ainda mais importante por trás desse número: o preço que aparece no anúncio não é necessariamente o preço pelo qual o imóvel será vendido.
E isso pode fazer uma diferença enorme no seu bolso.
Uma pesquisa recente do Raio-X FipeZAP mostrou que, no primeiro trimestre de 2026, 67% das transações de imóveis residenciais tiveram algum desconto em relação ao preço anunciado. No mesmo período do ano anterior, eram 61%.
O desconto médio foi de 9% considerando todas as transações. Entre os imóveis que realmente tiveram desconto, a redução média chegou a 13%.
Mas calma: isso não significa que os imóveis ficaram 9% ou 13% mais baratos.
A história é outra.
Imagine que você encontrou um apartamento anunciado por:
R$ 1 milhão.
Isso significa que o apartamento vale R$ 1 milhão?
Não necessariamente.
Existe uma diferença entre:
preço anunciado → preço negociado → preço efetivamente pago.
E essa diferença pode ser justamente onde está uma das melhores oportunidades para quem compra bem.
Por isso, em vez de perguntar apenas:
“Quanto custa esse apartamento?”
vale começar a perguntar:
“Quanto esse imóvel realmente vale e quanto eu consigo pagar por ele?”
Parece uma pequena mudança de pergunta, mas muda completamente a forma de negociar.
Esse é um ponto importante.
O fato de muitos imóveis estarem sendo vendidos com desconto não significa que o mercado imobiliário esteja em queda.
Os indicadores do FipeZAP mostram principalmente os preços anunciados, enquanto o Raio-X FipeZAP pesquisa o comportamento das pessoas que estão efetivamente comprando e vendendo.
São informações diferentes.
Por isso, é perfeitamente possível que os preços anunciados continuem elevados — ou até subindo — enquanto os compradores conseguem negociar descontos maiores.
E aqui está a boa notícia para quem está procurando um imóvel:
você não precisa necessariamente esperar o mercado inteiro cair para encontrar uma boa oportunidade.
Pode ser mais interessante encontrar um imóvel específico que esteja sendo vendido por um preço abaixo do seu valor justo.
Vamos trazer isso para a vida real.
Imagine um imóvel anunciado por R$ 1 milhão.
Se você conseguir 10% de desconto, vai pagar:
R$ 900 mil.
São R$ 100 mil que permanecem no seu bolso.
Agora pense em imóveis de maior valor:
| Valor do imóvel | 10% de desconto |
|---|---|
| R$ 500 mil | R$ 50 mil |
| R$ 1 milhão | R$ 100 mil |
| R$ 2 milhões | R$ 200 mil |
No litoral de Santa Catarina, onde os imóveis podem alcançar valores bastante elevados, uma boa negociação pode representar uma economia de dezenas ou até centenas de milhares de reais.
E tem mais.
Para quem compra como investimento, pagar menos pelo mesmo imóvel pode melhorar a rentabilidade.
Vamos imaginar novamente um apartamento de R$ 1 milhão.
Suponha que ele consiga gerar aproximadamente R$ 60 mil por ano em aluguel.
Se você pagar R$ 1 milhão:
R$ 60 mil ÷ R$ 1 milhão = 6% ao ano de renda bruta.
Agora imagine que você consiga comprar o mesmo imóvel por R$ 900 mil.
A renda continua sendo aproximadamente R$ 60 mil.
Mas agora:
R$ 60 mil ÷ R$ 900 mil = 6,67%.
O apartamento não mudou.
A localização não mudou.
O aluguel não mudou.
O que mudou foi o preço que você pagou.
É por isso que, no investimento imobiliário, muitas vezes a rentabilidade começa na hora da compra.
Aqui existe um detalhe que pode fazer toda a diferença.
Um imóvel com 15% de desconto não é necessariamente um negócio melhor do que outro com 5%.
Imagine:
Preço anunciado: R$ 1 milhão
Desconto: 15%
Preço final: R$ 850 mil
Preço anunciado: R$ 800 mil
Desconto: 5%
Preço final: R$ 760 mil
Qual é o melhor negócio?
Não dá para responder olhando apenas para o desconto.
O que realmente importa é saber quanto cada imóvel vale.
Se o Imóvel A vale R$ 800 mil, pagar R$ 850 mil não é uma grande oportunidade.
Se o Imóvel B vale R$ 850 mil e você compra por R$ 760 mil, talvez tenha encontrado um excelente negócio.
Por isso:
O objetivo não é conseguir o maior desconto. É comprar por um preço bom em relação ao verdadeiro valor do imóvel.
É aqui que uma boa pesquisa faz diferença.
Antes de fazer uma proposta, vale olhar:
Compare apartamentos realmente semelhantes.
Mesma região, tamanho parecido, idade do prédio, número de vagas, padrão construtivo e distância da praia, por exemplo.
Um imóvel que está há meses à venda pode indicar que o preço pedido está acima do que o mercado está disposto a pagar.
Não é uma regra, mas é uma informação importante.
Se você terá que gastar R$ 50 mil ou R$ 100 mil para deixar o apartamento pronto, isso precisa entrar na conta.
Um condomínio muito alto pode pesar bastante no orçamento e diminuir a rentabilidade de um imóvel comprado para aluguel.
Esse é um dos pontos mais importantes.
Quem precisa vender rapidamente pode estar mais aberto a negociar.
A urgência do vendedor pode ser uma oportunidade para o comprador.
É comum ouvir alguém dizer:
“O apartamento está R$ 1 milhão. Vou oferecer R$ 800 mil.”
Pode funcionar.
Mas uma negociação fica muito mais forte quando existe uma justificativa para a proposta.
Por exemplo:
Preço anunciado: R$ 1 milhão
Imóveis semelhantes: R$ 900 mil a R$ 950 mil
Reforma necessária: R$ 40 mil
Condomínio acima da média
Imóvel anunciado há 180 dias
Nesse cenário, você não está simplesmente pedindo um desconto.
Você está mostrando por que acredita que o preço precisa ser diferente.
É uma negociação muito mais racional.
Essa discussão fica ainda mais interessante quando olhamos para o litoral catarinense.
A região reúne alguns dos mercados imobiliários mais valorizados do Brasil.
Em julho de 2026, o preço médio anunciado por metro quadrado estava aproximadamente em:
Itapema — R$ 15.403/m²
Balneário Camboriú — R$ 15.295/m²
Itajaí — R$ 13.301/m²
São preços altos.
E justamente por isso, negociar bem pode fazer uma diferença enorme.
Mas existe outro detalhe importante:
Dentro de uma mesma cidade, o preço pode mudar muito dependendo da localização e das características do imóvel.
Um apartamento de frente para o mar não deve ser comparado com outro localizado a dez quadras da praia.
Um imóvel novo não necessariamente vale o mesmo que um apartamento de 15 anos.
Uma unidade com duas vagas não deve ser comparada diretamente com outra sem garagem.
Também entram na conta:
– vista;
– posição solar;
– idade do prédio;
– padrão construtivo;
– condomínio;
– distância da praia;
– facilidade de locação;
– infraestrutura da região.
Por isso, em vez de perguntar:
“Quanto custa o metro quadrado em Itapema?”
a pergunta mais interessante é:
“Quanto vale o metro quadrado de um imóvel como este, exatamente nesta localização?”
Não existe uma fórmula que funcione para todos os casos, mas alguns imóveis merecem atenção especial.
Normalmente existe mais espaço para uma negociação direta com o proprietário.
Pode haver resistência do mercado ao preço pedido.
Quanto maior a urgência, maior pode ser a disposição para negociar.
O custo da reforma pode ser usado de forma objetiva na negociação.
O custo mensal pesa no bolso e também pode reduzir o interesse de outros compradores.
Quando existem várias opções semelhantes à venda, o comprador ganha poder de escolha — e de negociação.
Essa diferença também importa.
Segundo o Raio-X FipeZAP, entre as pessoas que compraram imóveis para investimento, 58% tinham como principal objetivo gerar renda com aluguel, enquanto 42% buscavam principalmente valorização para uma futura venda.
Isso mostra uma coisa importante:
um bom imóvel não precisa depender apenas da valorização.
Ele pode gerar renda enquanto você espera.
E, nesse caso, comprar bem fica ainda mais importante.
Quanto menos você paga pelo imóvel, maior pode ser a rentabilidade sobre o dinheiro investido.
Não existe uma resposta única.
O que os dados mostram é que o comprador está encontrando mais espaço para negociar.
Isso não quer dizer que os preços vão cair.
Também não significa que todo imóvel esteja barato.
Significa que, para quem está procurando com calma, comparando opções e sabendo negociar, pode haver boas oportunidades agora.
E essa é uma diferença importante.
Em vez de ficar esperando:
“Será que os preços vão cair?”
talvez valha mais a pena perguntar:
“Será que consigo comprar este imóvel por menos do que ele realmente vale?”
Se você está pensando em comprar um imóvel, eu começaria por estas cinco regras:
1. Não olhe apenas o preço do anúncio.
Tente descobrir quanto imóveis semelhantes estão realmente sendo negociados.
2. Compare imóveis parecidos.
Preço por metro quadrado só faz sentido quando a comparação é justa.
3. Entenda o vendedor.
Saber por que ele está vendendo pode ajudar bastante na negociação.
4. Faça a conta completa.
Considere impostos, documentação, reforma, condomínio e outros custos.
5. Não comprometa todo o seu dinheiro.
Uma boa compra também precisa deixar uma margem de segurança.
No fim, o melhor negócio não é necessariamente aquele em que você consegue o maior desconto.
É aquele em que o preço pago faz sentido mesmo se o imóvel valorizar menos do que você espera no futuro.
Aqui está a parte que mais interessa para quem acompanha o mercado catarinense.
O litoral de Santa Catarina continua reunindo características muito fortes:
turismo, crescimento populacional, procura por segunda residência, imóveis de alto padrão e escassez de terrenos em algumas regiões.
Mas também é um mercado com preços elevados.
Por isso, saber negociar pode ser tão importante quanto escolher a cidade certa.
Imagine conseguir 10% de desconto em um imóvel de R$ 2 milhões.
São R$ 200 mil de diferença.
Esse dinheiro pode representar uma enorme vantagem para quem está comprando para investir.
A grande pergunta, então, deixa de ser apenas:
“Qual cidade do litoral de Santa Catarina vai valorizar mais?”
E passa a ser:
“Em qual cidade, bairro e tipo de imóvel eu consigo comprar por um preço realmente interessante?”
É exatamente isso que vamos analisar no próximo conteúdo.
Vamos comparar Balneário Camboriú, Itajaí, Itapema, Porto Belo, Florianópolis, Navegantes, Penha e Balneário Piçarras e mostrar como eu pensaria um investimento de:
R$ 500 mil
R$ 1 milhão
R$ 2 milhões
Porque, em um mercado onde 67% das transações estão sendo fechadas com algum desconto, talvez a pergunta mais importante não seja:
Mas sim:
Fonte principal: pesquisa Raio-X FipeZAP, 1º trimestre de 2026, realizada pela Fipe e pelo Grupo OLX. A pesquisa ouviu 891 usuários dos portais ZAP e Viva Real entre 7 e 30 de abril de 2026. Os percentuais de desconto refletem as transações declaradas pelos participantes e servem como indicador do comportamento de negociação, não como garantia de desconto em uma transação específica.
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Corretor e avaliador de imóveis.
Sou especialista em decisões imobiliárias conscientes. Meu trabalho é ajudar pessoas a decidir bem.