Comprar o primeiro imóvel na planta: como decidir com segurança

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Comprar o primeiro imóvel na planta, especialmente com pagamentos parcelados durante a obra, é uma das decisões financeiras mais relevantes da vida adulta. A proposta costuma parecer acessível: parcelas iniciais menores, prazo longo e a sensação de que o compromisso será mais fácil de administrar no futuro.

O problema é que muitos compradores decidem com base apenas nessa percepção inicial, sem avaliar corretamente os riscos, os reajustes e a coerência da decisão ao longo do tempo.

Este artigo foi escrito para ajudar você a tomar uma decisão consciente ao comprar um imóvel na planta. Aqui você vai entender:

  • os erros mais comuns nesse tipo de compra,

  • quais são os principais riscos envolvidos,

  • como estruturar um raciocínio mais seguro antes de assinar um contrato,

  • e se eu precisar fazer o distrato?

  • Agora o outro lado: Vantagens e benefícios dos imóveis na planta

1. Erros comuns ao comprar o primeiro imóvel na planta

Erro 1: Avaliar apenas a parcela inicial

Um erro frequente ao comprar imóvel na planta é analisar apenas se a parcela cabe no orçamento atual.

O que muitos esquecem é que:

– o valor total do imóvel é maior que a soma das parcelas iniciais;

– existem reajustes ao longo da obra;

– haverá uma decisão financeira importante na entrega das chaves (quitação ou financiamento).

Ao comprar na planta, é fundamental avaliar o custo total da decisão, não apenas o início.

Erro 2: Apostar que a renda futura resolverá tudo

Frases como “até lá minha renda vai aumentar” são comuns — e perigosas.

Crescimento profissional pode acontecer, mas não é um critério confiável de decisão. Uma compra bem estruturada deve se sustentar mesmo se a renda permanecer estável.

Decidir com base apenas em expectativas futuras transfere todo o risco para o comprador.

Erro 3: Não entender os reajustes do contrato

Imóveis na planta costumam ter parcelas corrigidas por índices como o INCC ou outros definidos em contrato.

Muitos compradores:

– não sabem qual índice será aplicado,

– não simulam cenários de aumento,

– subestimam o impacto dos reajustes no orçamento.

Reajuste não é detalhe técnico. É parte central da decisão ao comprar imóvel na planta.

Erro 4: Comprar pelo entusiasmo do lançamento

Apartamento decorado, maquete, imagens bem produzidas. Tudo isso ajuda a visualizar o futuro — mas também pode ofuscar a análise racional.

Entusiasmo não substitui critério. Antes de decidir, é essencial responder:

 – Esse imóvel continua fazendo sentido se minha vida mudar?

 – Ele é compatível com meu nível real de risco?

2. Principais riscos ao comprar imóvel na planta — e como avaliá-los

Comprar esse tipo de empreendimento envolve riscos. O problema não é o risco em si, mas assumi-lo sem consciência.

Risco financeiro

Avalie:

 – qual percentual da sua renda ficará comprometido no pior cenário;

 – se você consegue sustentar as parcelas mesmo sem aumento de renda.

Risco de prazo

Atrasos podem acontecer, mesmo em empreendimentos bem estruturados.

Pergunte-se:

 – consigo lidar financeiramente com um atraso?

 – minha decisão depende de uma data exata de entrega?

Risco de mudança de vida

Em prazos longos, mudanças são naturais.

Avaliação prática:

 – esse imóvel é flexível para revenda ou locação?

 – ele faz sentido apenas para minha realidade atual ou também para cenários diferentes?

3. Como pensar antes de comprar um imóvel na planta

1. Entenda seu contexto real

Antes de olhar imóveis, responda:

 – qual é minha estabilidade hoje?

 – quanto risco posso assumir sem perder tranquilidade?

2. Defina critérios antes da escolha

Critérios devem vir antes da visita:

 – limite máximo de comprometimento financeiro,

 – localização mínima aceitável,

 – margem de segurança para imprevistos.

Sem critérios, qualquer imóvel parece uma boa oportunidade.

3. Avalie a coerência da decisão no longo prazo

A pergunta mais importante não é “consigo comprar agora?”, mas:

“Essa decisão se sustenta ao longo do tempo?”

Uma boa decisão imobiliária reduz ansiedade e não depende de sorte.

4. O que acontece se você precisar desistir da compra (distrato)

Aqui, o planejamento prévio faz uma grande diferença. Ao comprar um imóvel na planta, é importante considerar um cenário que muitos preferem ignorar: e se eu precisar desistir da compra antes da entrega?

Mudanças de renda, planos familiares, trabalho ou imprevistos acontecem — especialmente em contratos de longo prazo. Por isso, entender como funciona o distrato faz parte de uma decisão consciente.

O que é o distrato, na prática

Distrato é a rescisão do contrato de compra do imóvel, ou seja, a desistência formal da compra antes da entrega das chaves.

Desde 2018, essa situação passou a ser regulada por regras mais claras, definidas pela Lei nº 13.786/18, criada justamente para dar previsibilidade tanto ao comprador quanto à incorporadora.

 

O principal ponto: a devolução não é integral

Um dos equívocos mais comuns é acreditar que, em caso de desistência, todo o valor pago será devolvido. Isso não acontece.

De forma simplificada:

– a incorporadora pode reter parte dos valores pagos;

– essa retenção existe para cobrir custos do empreendimento, impostos, corretagem e administração;

– o percentual retido varia conforme o tipo de contrato e o empreendimento, mas não é desprezível.

Ou seja, o distrato costuma gerar perda financeira real para o comprador.

Prazo de devolução: não é imediato

Outro ponto pouco compreendido é o prazo.

Mesmo após a formalização do distrato:

– a devolução dos valores não acontece de forma imediata;

– o prazo pode se estender por meses, conforme previsto em contrato e na legislação.

Isso significa que, além da perda parcial do valor, o comprador não recupera o dinheiro rapidamente.

Por que isso precisa entrar no seu raciocínio antes da compra

O objetivo aqui não é desestimular a compra de imóveis na planta, mas qualificar a decisão.

Antes de assinar o contrato, vale se perguntar:

– Se algo mudar na minha vida, consigo sustentar essa compra até o final?

– Se eu precisar desistir, estou confortável com a possível perda financeira?

– Esse compromisso cabe no meu nível real de risco?

Quando o comprador ignora o cenário de distrato, ele assume um risco sem perceber.

Uma decisão consciente considera a saída, não só a entrada

Decisões bem estruturadas não analisam apenas:

– preço,

– parcela,

– localização.

Elas também consideram:

– flexibilidade,

– margem de segurança,

– e custo de uma eventual mudança de rota.

Entender como funciona o distrato antes da compra não significa que você vai desistir no futuro — significa que você está decidindo com maturidade.

5. Agora o outro lado: Por que, ainda assim, muitas pessoas compram na planta?

“Ignorar as vantagens seria tão equivocado quanto ignorar os riscos.”

O lado positivo de comprar imóvel na plantaCondições financeiras mais acessíveis

Imóveis na planta costumam oferecer:

– entrada parcelada;

– valores iniciais menores;

– maior previsibilidade de desembolso ao longo do tempo.

Para quem se organiza bem, isso facilita o planejamento financeiro.

Potencial de valorização

Em mercados bem escolhidos, é comum que o imóvel entregue valha mais do que o preço contratado, especialmente quando:

– a região se desenvolve;

– a demanda cresce;

– o padrão construtivo é consistente.

Valorização não é garantia, mas é uma possibilidade real, quando analisada com critério.

Imóvel novo, adequado à vida atual

Comprar na planta permite:

– layouts mais modernos;

– infraestrutura atualizada;

– menor necessidade de reformas no curto prazo.

Isso impacta diretamente a qualidade de uso do imóvel.

Tempo como aliado

Para quem não tem urgência de moradia, o tempo entre compra e entrega pode ser um aliado:

– mais tempo para se organizar;

– mais tempo para planejar mudanças;

– menos pressão imediata.

Então, afinal: comprar imóvel na planta é uma boa decisão?

A resposta honesta é: depende de quem compra, por que compra e em que contexto compra.

Comprar na planta faz sentido quando:

– o comprador entende os riscos e os aceita conscientemente;

– o planejamento financeiro comporta imprevistos;

– o prazo de entrega é compatível com a vida real;

– a decisão não é movida apenas por promessa ou urgência.

Não faz sentido quando:

– a compra é feita para “resolver um problema imediato”;

– não há margem financeira para atrasos ou mudanças;

– a decisão é baseada apenas em emoção ou medo de perder oportunidade.

Conclusão

Decisão consciente não elimina riscos — ela evita arrependimentos.

Nenhuma decisão imobiliária é isenta de riscos.
Mas decisões bem pensadas reduzem drasticamente o arrependimento, o estresse e o retrabalho emocional.

Comprar imóvel na planta pode ser:

 – um ótimo passo patrimonial,

 – uma boa estratégia de moradia,

 – ou um erro difícil de reverter.

A diferença está no processo de decisão, não no produto.

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Foto Gilmar

Por Gilmar Defreyn

Corretor e avaliador de imóveis.
Sou especialista em decisões imobiliárias conscientes. Meu trabalho é ajudar pessoas a decidir bem.

Conheça nossa indicação de imóvel na planta no Bairro Pedra Branca em Palhoça.

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