Comprar o primeiro imóvel na planta, especialmente com pagamentos parcelados durante a obra, é uma das decisões financeiras mais relevantes da vida adulta. A proposta costuma parecer acessível: parcelas iniciais menores, prazo longo e a sensação de que o compromisso será mais fácil de administrar no futuro.
O problema é que muitos compradores decidem com base apenas nessa percepção inicial, sem avaliar corretamente os riscos, os reajustes e a coerência da decisão ao longo do tempo.
Este artigo foi escrito para ajudar você a tomar uma decisão consciente ao comprar um imóvel na planta. Aqui você vai entender:
Um erro frequente ao comprar imóvel na planta é analisar apenas se a parcela cabe no orçamento atual.
O que muitos esquecem é que:
– o valor total do imóvel é maior que a soma das parcelas iniciais;
– existem reajustes ao longo da obra;
– haverá uma decisão financeira importante na entrega das chaves (quitação ou financiamento).
Ao comprar na planta, é fundamental avaliar o custo total da decisão, não apenas o início.
Erro 2: Apostar que a renda futura resolverá tudoFrases como “até lá minha renda vai aumentar” são comuns — e perigosas.
Crescimento profissional pode acontecer, mas não é um critério confiável de decisão. Uma compra bem estruturada deve se sustentar mesmo se a renda permanecer estável.
Decidir com base apenas em expectativas futuras transfere todo o risco para o comprador.
Imóveis na planta costumam ter parcelas corrigidas por índices como o INCC ou outros definidos em contrato.
Muitos compradores:
– não sabem qual índice será aplicado,
– não simulam cenários de aumento,
– subestimam o impacto dos reajustes no orçamento.
Reajuste não é detalhe técnico. É parte central da decisão ao comprar imóvel na planta.
Apartamento decorado, maquete, imagens bem produzidas. Tudo isso ajuda a visualizar o futuro — mas também pode ofuscar a análise racional.
Entusiasmo não substitui critério. Antes de decidir, é essencial responder:
– Esse imóvel continua fazendo sentido se minha vida mudar?
– Ele é compatível com meu nível real de risco?
Comprar esse tipo de empreendimento envolve riscos. O problema não é o risco em si, mas assumi-lo sem consciência.
Avalie:
– qual percentual da sua renda ficará comprometido no pior cenário;
– se você consegue sustentar as parcelas mesmo sem aumento de renda.
Atrasos podem acontecer, mesmo em empreendimentos bem estruturados.
Pergunte-se:
– consigo lidar financeiramente com um atraso?
– minha decisão depende de uma data exata de entrega?
Em prazos longos, mudanças são naturais.
Avaliação prática:
– esse imóvel é flexível para revenda ou locação?
– ele faz sentido apenas para minha realidade atual ou também para cenários diferentes?
1. Entenda seu contexto realAntes de olhar imóveis, responda:
– qual é minha estabilidade hoje?
– quanto risco posso assumir sem perder tranquilidade?
Critérios devem vir antes da visita:
– limite máximo de comprometimento financeiro,
– localização mínima aceitável,
– margem de segurança para imprevistos.
Sem critérios, qualquer imóvel parece uma boa oportunidade.
A pergunta mais importante não é “consigo comprar agora?”, mas:
“Essa decisão se sustenta ao longo do tempo?”
Uma boa decisão imobiliária reduz ansiedade e não depende de sorte.
Aqui, o planejamento prévio faz uma grande diferença. Ao comprar um imóvel na planta, é importante considerar um cenário que muitos preferem ignorar: e se eu precisar desistir da compra antes da entrega?
Mudanças de renda, planos familiares, trabalho ou imprevistos acontecem — especialmente em contratos de longo prazo. Por isso, entender como funciona o distrato faz parte de uma decisão consciente.
O que é o distrato, na prática
Distrato é a rescisão do contrato de compra do imóvel, ou seja, a desistência formal da compra antes da entrega das chaves.
Desde 2018, essa situação passou a ser regulada por regras mais claras, definidas pela Lei nº 13.786/18, criada justamente para dar previsibilidade tanto ao comprador quanto à incorporadora.
Um dos equívocos mais comuns é acreditar que, em caso de desistência, todo o valor pago será devolvido. Isso não acontece.
De forma simplificada:
– a incorporadora pode reter parte dos valores pagos;
– essa retenção existe para cobrir custos do empreendimento, impostos, corretagem e administração;
– o percentual retido varia conforme o tipo de contrato e o empreendimento, mas não é desprezível.
Ou seja, o distrato costuma gerar perda financeira real para o comprador.

Outro ponto pouco compreendido é o prazo.
Mesmo após a formalização do distrato:
– a devolução dos valores não acontece de forma imediata;
– o prazo pode se estender por meses, conforme previsto em contrato e na legislação.
Isso significa que, além da perda parcial do valor, o comprador não recupera o dinheiro rapidamente.
O objetivo aqui não é desestimular a compra de imóveis na planta, mas qualificar a decisão.
Antes de assinar o contrato, vale se perguntar:
– Se algo mudar na minha vida, consigo sustentar essa compra até o final?
– Se eu precisar desistir, estou confortável com a possível perda financeira?
– Esse compromisso cabe no meu nível real de risco?
Quando o comprador ignora o cenário de distrato, ele assume um risco sem perceber.
Decisões bem estruturadas não analisam apenas:
– preço,
– parcela,
– localização.
Elas também consideram:
– flexibilidade,
– margem de segurança,
– e custo de uma eventual mudança de rota.
Entender como funciona o distrato antes da compra não significa que você vai desistir no futuro — significa que você está decidindo com maturidade.
“Ignorar as vantagens seria tão equivocado quanto ignorar os riscos.”
Condições financeiras mais acessíveisImóveis na planta costumam oferecer:
– entrada parcelada;
– valores iniciais menores;
– maior previsibilidade de desembolso ao longo do tempo.
Para quem se organiza bem, isso facilita o planejamento financeiro.
Em mercados bem escolhidos, é comum que o imóvel entregue valha mais do que o preço contratado, especialmente quando:
– a região se desenvolve;
– a demanda cresce;
– o padrão construtivo é consistente.
Valorização não é garantia, mas é uma possibilidade real, quando analisada com critério.
Comprar na planta permite:
– layouts mais modernos;
– infraestrutura atualizada;
– menor necessidade de reformas no curto prazo.
Isso impacta diretamente a qualidade de uso do imóvel.
Para quem não tem urgência de moradia, o tempo entre compra e entrega pode ser um aliado:
– mais tempo para se organizar;
– mais tempo para planejar mudanças;
– menos pressão imediata.
A resposta honesta é: depende de quem compra, por que compra e em que contexto compra.
Comprar na planta faz sentido quando:
– o comprador entende os riscos e os aceita conscientemente;
– o planejamento financeiro comporta imprevistos;
– o prazo de entrega é compatível com a vida real;
– a decisão não é movida apenas por promessa ou urgência.
Não faz sentido quando:
– a compra é feita para “resolver um problema imediato”;
– não há margem financeira para atrasos ou mudanças;
– a decisão é baseada apenas em emoção ou medo de perder oportunidade.
Decisão consciente não elimina riscos — ela evita arrependimentos.
Nenhuma decisão imobiliária é isenta de riscos.
Mas decisões bem pensadas reduzem drasticamente o arrependimento, o estresse e o retrabalho emocional.
Comprar imóvel na planta pode ser:
– um ótimo passo patrimonial,
– uma boa estratégia de moradia,
– ou um erro difícil de reverter.
A diferença está no processo de decisão, não no produto.
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Corretor e avaliador de imóveis.
Sou especialista em decisões imobiliárias conscientes. Meu trabalho é ajudar pessoas a decidir bem.
1 Comentário
excluzzi
em disse
Muito interessante este artigo.