POR QUE GRANDE PARTE DAS LOCAÇÕES COMERCIAIS FALHAM

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Quando um imóvel comercial fica vazio por meses — ou quando um contrato é rompido antes do prazo — a explicação mais comum costuma ser:
“o mercado está difícil”.

Embora o mercado influencie, essa explicação raramente é suficiente.
Na prática, a maioria das locações comerciais que fracassam não falha durante o contrato, mas antes dele existir — na decisão inicial.

Entender isso muda completamente a forma como o proprietário deve encarar a locação do seu imóvel.

Locação comercial não é apenas renda mensal

Um erro comum é tratar a locação comercial como uma extensão da locação residencial, com a única diferença sendo o valor do aluguel.
Na realidade, são decisões de naturezas diferentes.

Na locação comercial, o imóvel deixa de ser apenas um bem patrimonial e passa a ser infraestrutura de negócio. Isso significa que o sucesso do contrato depende não só do imóvel, mas também da capacidade do negócio do locatário de se sustentar naquele ponto específico.

Quando essa compatibilidade não é analisada, o risco aumenta — mesmo que o aluguel pareça atrativo no papel.

O foco excessivo no valor do aluguel

Outro ponto crítico está na pergunta que orienta muitas decisões:
“Quanto consigo cobrar de aluguel?”

Essa pergunta, isoladamente, é perigosa.

Um aluguel alto, quando não é compatível com a realidade do negócio que ocupará o imóvel, costuma gerar:

– dificuldade de permanência do locatário,

– inadimplência,

– renegociações constantes,

– ou rompimento precoce do contrato.

O resultado quase sempre é o mesmo: vacância prolongada, custos indiretos e desgaste para o proprietário.

Em muitos casos, um aluguel ligeiramente menor, mas sustentável, gera mais resultado no médio e longo prazo do que um valor alto que não se mantém.

Vacância comercial raramente é azar

Imóveis comerciais não ficam vagos por acaso.

Na maioria das vezes, a vacância é consequência de uma sequência de decisões mal alinhadas, como:

– aceitar qualquer tipo de atividade sem avaliar compatibilidade,

– priorizar apenas o valor do aluguel,

– não considerar o histórico e a estrutura do negócio do locatário,

– ignorar o impacto do ponto na operação da empresa.

Quando o contrato termina mal, o imóvel ainda pode sair prejudicado:
o ponto perde atratividade, carrega histórico de insucesso e se torna mais difícil de reposicionar no mercado.

Nem todo negócio sustenta todo ponto comercial

Todo ponto comercial favorece alguns tipos de negócio e dificulta outros.

Há imóveis que funcionam melhor para:

– operações de destino,

– negócios de conveniência,

– serviços recorrentes,

– atividades que dependem de fluxo intenso.

Ignorar essa relação é um dos erros mais caros da locação comercial.

Um negócio mal encaixado até pode começar pagando o aluguel, mas dificilmente se sustenta no tempo. E quando o negócio não se sustenta, o contrato também não.

A decisão correta começa antes do anúncio 

Uma locação comercial bem-sucedida começa com perguntas simples, mas fundamentais:

– Qual é o papel deste imóvel dentro do meu patrimônio?

-Eu busco maximizar valor ou reduzir risco?

– Que tipo de atividade esse imóvel favorece?

– Qual nível de vacância eu consigo suportar?

Responder a essas perguntas antes de anunciar o imóvel muda completamente a qualidade das propostas recebidas — e das decisões tomadas.

Contratos bons são os que duram

Na locação comercial, o melhor contrato não é o mais alto, nem o mais rápido.
É aquele que:

– se sustenta financeiramente,

– reduz risco de ruptura,

– preserva o valor do imóvel no tempo,

– gera previsibilidade ao proprietário.

Isso exige critério, análise e, muitas vezes, a disposição de dizer “não” a propostas que parecem boas no curto prazo, mas carregam risco elevado no médio.

Conclusão: locação comercial é decisão estratégica

Alugar um imóvel comercial não deve ser tratado como um evento pontual, mas como uma decisão estratégica de gestão patrimonial.

Quando o proprietário entende isso, ele deixa de reagir ao mercado e passa a decidir com método.
E decisões bem estruturadas reduzem conflitos, vacância e prejuízos silenciosos.

Se há uma ideia central a ser levada daqui, é esta:

Na locação comercial, o problema raramente está no contrato.
Ele quase sempre nasce antes — na decisão.

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Foto Gilmar

Por Gilmar Defreyn

Corretor e avaliador de imóveis.
Sou especialista em decisões imobiliárias conscientes. Meu trabalho é ajudar pessoas a decidir bem.

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